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terça-feira, 8 de agosto de 2023

A CIGARRA DA CHACARA - Por Alberto de Oliveira

 



Volta a cantar no tronco da mangueira,
Mais corpulenta agora e mais sombria, 
Essa mesma cigarra cantadeira 
Que o ano passado eu tantas vezes ouvia. 
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Ébria dos quentes raios da soalheira. 
A pompa sideral do meio-dia 
Celebra, e enquanto a luz abrasa, e cheira
O mato verde, chia! chia! chia!
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Canta alma de ouro! Teu verão radiante
Tornou, tornou teu sol glorioso e lindo; 
O meu declina, não quer mais que eu cante. 
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Oh! como invejo este hino alto e canoro (melodia suave)
Que, reiterado, entoa ali, zinindo,  
A cigarra da chácara onde moro. 
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Nicéas Romeo Zanchett 



segunda-feira, 7 de agosto de 2023

ATÉ UM DIA - De Robert Louis Stevenson

 .

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Chegou o caro! Vamos partir! 
E da fazenda, sem alegria, 
Nos despedimos quase chorando: 
- Adeus, adeus! Até um dia!
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Adeus à casa, aos verdes campos, 
E a velha porteira em que eu subia; 
Aos animais, ao bom balanço...
- Adeus, adeus! Até um dia!
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Aos companheiros de alegres horas, 
A paz, que à tarde nos envolvia, 
Ao meu cavalo, aos passarinhos...
-Adeus, adeus! Até um dia! 
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Já vi ficando tudo tão longe! 
A casa, o pasto, a estrebaria...
E, na última volta do caminho, 
Repito: - deus! até um dia!...
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Nicéas Romeo Zanchett 



O CACHORRINHO PERDIDO - Stella Mead

 .


Quem terá visto meu cachorrinho,

De rabo preto e preto focinho? 

Abana a cauda se está contente, 

Mostrando agrado, perto da gente.

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A cozinheira, de manhãzinha, 

Viu-o latindo para a gatinha; 

Às dez em ponto, "Seu" Serfim; 

Viu-o dormindo la no jardim. 

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"Seu" Serafim, que é meu amigo, 

foi procurá-lo, então, comigo; 

Mas não achamos meu cachorrinho. 

Com estou triste: Pobre bichinho!

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Ao açougueiro, quando chegou,

Logo indaguei se o avistou, 

- Não, respondeu o rapazinho.

Hoje não vi seu cachorrinho. 

Que medo eu tenho só de pensar 

Que um carro o pode atropelar!

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Quem terá visto meu cachorrinho 

De rabo preto e preto focinho? 

Abana a cauda, se está contente, 

Mostrando agrado perto da gente. 

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Titia tem bom coração: 

Deu duas voltas no quarteirão

E perguntou a toda gente

Se alguém o viu - inutilmente!

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A cozinheira , junto de mim, 

Chegou, então, falando assim: 

- Ah! meu menino. Que novidade!

Totó andou pela cidade

Dentro do carro que veio trazer

Presunto e ovos pra se comer. 

O enregador foi apanhar

As encomendas para deixar;

O carro aberto ele esqueceu

E veja só o que aconteceu: 

Sentindo cheiro de porco assado

Totó pulou logo, assanhado, 

E fi assim que o cachorrinho 

Se viu levado pelo homenzinho..

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Só muito tarde, no fim do dia, 

Foi que o ouviu, quando latia; 

Abriu o carro, muito espantado, 

E o encontrou, pobre coitado! 

Veio trazê-lo, então, nesta hora

E aqui chegou, pois, sem demora. 

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E, assim, achei meu cachorrinho, 

De rabo preto e preto focinho, 

Que abana a cauda, se está contente, 

Mostrando agrado, perto da gente.