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segunda-feira, 26 de abril de 2021

JOÃO BEM-TE-VI - por Beatrice Curtis Brown

 


Pobre João Bem-te-vi!

 Que o Rei foi visitar;

Mas, estando sem chapéu, 

Na Corte não pode entrar. 

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Pobre joão Bem-te-vi!

De chapéu novo voltou, 

Para o seu Rei visitar; 

Mas quando chegou ali, 

A gravata não botou,

Na Corte não pode entrar

Pobre João Bem-te-vi! 

Que já gravata exibiu, 

Para seu Rei visitar; 

Mas, quando chegou ali, 

De pijama ele surgiu, 

Na Corte não pode entrar. 

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E assim João Bem-te-vi 

Vai ao Rei comunicar: -

- Desisto de ir aí, 

Em casa é que é meu lugar. 

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Nicéas Romeo Zanchett

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quinta-feira, 22 de abril de 2021

DORMINHOCA - Walter de la Mare



A DORMINHOCA

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Ainda estava acordada, numa noite de luar, quando uma linda canção comecei a escutar. 

"Saia da cama, menina, 

Calce o seu chinelinho, 

Venha aqui um bocadinho, 

Embaixo do arvoredo, 

Esperamos por você

Para fazer um brinquedo." 

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Levantei de mansinho, fui à janela espiar, no jardim uns anõezinhos lá estavam a me chamar.

"Saia da cama, menina, 

Venha fazer serenata, 

A lua está a brilhar, 

Aproveite a luz de prata. 

Venha ver o nosso lar, 

Aqui na árvore amiga.

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Venha, não vá se deitar, 

Não pense que é sonho, não

Olhe aqui para o chão. 

Nós estamos esperando 

Por você com alegria. 

Desça, já é quase dia."

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Quando saí da janela, coisa estranha aconteceu; a suave melodia logo desapareceu. A manhã, que então surgia, nova cena foi armando. Não vi mais os anõezinhos que estiveram me acenando, e outra canção eu me pus a escutar. Num galho, um pintarroxo começava a chilrear.

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Nicéas Romeo Zanchett 





 

A LUA - Por Vachel lindsay

 


A LUA 

A lua, vou lhe contar, 

É um ovo de dragão, 

Que a noite vai chocar. 

A casca vai se quebrando, 

O bicho vai-se esticando, 

Perlo céu vai-se arrastando. 

Muita coisa por aqui, 

Sei que vai acontecer, 

Os meninos irão rir, 

Mas as meninas, receio, 

Podem gritar e fugir 

Mesmo que eu lhes repita: 

- Meninas, não façam fica, 

O dragão é tão mansinho, 

Anda tão devagarinho, 

Que até parece um gatinho. 

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Nicéas Romeo Zanchett 



NOSSA CASA PEQUENINA - Christopher Morley

 


CASA PEQUENINA 

Eu gosto muito da nossa casinha,

 com pomar, quintal e um lindo jardim, 

Nem alta, nem baixa, bem pequenina, 

Foi feita de encomenda, só para mim.

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Borboletas, pássaros, hera 


junto dela querem ficar;

Parece que são como amigos 

Que muito têm pra conversar.  

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Sento-me, às vezes, a espiá-la; 

Acho-a viva e bem diferente, 

Com alegrias e com amizades 

pensando assim como a gente. 

Nicéas Romeo Zanchett 



domingo, 4 de abril de 2021

MEUS OITO ANOS - por Casimiro de Abreu


Acabei de encontrar esta tela que eu pintei dia 13/10/78- no aniversário de três anos do nosso amado filho. Nesta época nós morávamos  na "praia da Barra da Tijuca" que tinha o nome de Avenida Sernambetiba. Uma época maravilhosa de nossa vida. 
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MEUS OITO ANOS 
de Casimiro de Abreu.
Casimiro josé Marques de Abreu, poeta brasileiro, nasceu em S. João da Barra, na então província do Rio de Janeiro, a 4 de Janeiro de 1837 e faleceu a 18 de Outubro de 1860. A sua vocação de poeta foi tenazmente contrariada e combatida por seu pai . Esta oposição teve uma influência nefasta na sua saúde já combalida e uma viagem que fez a Lisboa pouco lhe aproveitou. Escreveu Canções do E Exílio (1854); As Primaveras (1859); Camões e o Jau, cena dramática; dois romances: A virgem loura e Camila, que deixou inédito. 
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MEUS OITO ANOS 
Oh! que saudades que tenho
Da aurora da minha vida, 
Da minha infância querida, 
Que os anos não trazem mais! 
Que amor, que sonhos, que flores, 
naquelas tardes fagueiras, 
À sombra das bananeiras, 
Debaixo dos laranjais! 
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Como são belos os dias 
Do despontar da existência!
- Respira a alma inocência 
Como perfumes a flor; 
O mar é - lago sereno, 
O céu - um manto azulado, 
O mundo - um sonho dourado, 
A vida - um hino d'amor!
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Que auroras, que sol, que- vida, 
Que noites de melodia 
Naquela doce alegria,
 Naquele ingênuo folgar!
O céu bordado d'estrelas, 
A terra d'aromas cheia, 
As ondas beijando a areia, 
E a lua beijando o ma!
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Oh! dias da minha infância!
Oh! meu céu de primavera!
Que doce a vida não era
Nessa risonha manhã!
 Em vez das mágoas de agora,
Eu tinha nessas delícias 
De minha mãe as carícias, 
E beijos de minha irmã!
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Livre filho das montanhas, 
Eu ia bem satisfeito, 
Da camisa aberto o peito, 
- Pés descalços, braços nus, 
Correndo pelas campinas, 
À roda das cachoeiras, 
Atrás das asas ligeiras 
Das borboletas azuis!
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Naqueles tempos ditosos
Ia colher as pitangas, 
Trepava a tirar as mangas, 
Brincava à beira do mar;
Rezava as Ave-Marias,
Achava o céu sempre lindo, 
Adormecia sorrindo
E despertava a cantar!
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Oh! que saudades que tenho
Da aurora da minha vida, 
Da minha infância querida, 
Que os anos não trazem mais!
- Que amor, que sonhos, que flores, 
Naquelas tarde fagueiras
À sombra das bananeiras, 
Debaixo dos laranjais!
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Nicéas Romeo Zanchett 
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Espera-se sempre em vão gozar a vida, e por fim, tudo quanto de faz - é suportá-la - Voltaire
 

sexta-feira, 16 de junho de 2017

BEM TE VI - Por Bittencourt Sampaio


BEM TE VI 
Debaixo deste arvoredo
Para te olhar me escondi. 
Tu passavas: - em segredo
Cantei baixinho com medo: 
Bem te vi! 
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Quis dizer-te atrás correndo: 
"Morro de amores por ti!"
Mas não sei porque tremendo
Fiquei parado dizendo:
Bem te vi! 
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Junto à fonte cristalina
Sismando chegaste ali. 
Sopra a brisa casuarina
Doce nome = Cipladina -
Bem te vi! 
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E tu voltaste cantando, 
- Que voz tão meiga que ouvi! 
Fui então te acompanhando; 
Foste andando... foste andando...
Bem te vi! 
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BREVE BIOGRAFIA DO AUTOR 
Bittencourt Sampaio, poeta brasileiro, nasceu em Sergipe em 1 de Fevereiro de 1834 e faleceu a 10 de Outubro de 1895. Foi diretor da Biblioteca nacional. Escreveu: Poesias, 1859; Flores Silvestres, 1860; Lamartinianas, 1869; e várias traduções. 
Nicéas Romeo Zanchett


domingo, 11 de junho de 2017

DIA DE CHUVA




DIA DE CHUVA 
Por Gabriel de Rialva. 
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Chove, chove, sem parar...
As nuvens correm no céu, 
Estendendo sobre nós 
Um espesso e feio véu.
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Silvos constantes do vento
Espantam os passarinhos, 
Que buscam espavoridos, 
O refúgio dos seus ninhos, 
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Turvam-se as águas dos rios, 
Pelos morros surgem fontes, 
Que rolam, em cataratas, 
Pelas encostas dos montes.
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Árvores de copa altiva, 
Gotejando sem cessar, 
Tem os galhos abatidos: 
Parecem até chorar!...
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Enquanto, pelas esquinas, 
Mendigos tremem de frio, 
A tristeza envolve a Terra
Num grande manto sombrio...
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Ó bondoso pai do céu,
Dai fim à nossa tristeza! 
Mandai, sem demora, o sol
Pra alegrar a Natureza!...
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Pesquisa e postagem: Nicéas Romeo Zanchett